Sunday, May 29, 2005

Fruto de uísque e covardias

Só estava parada em um canto qualquer, tirando o esmalte das unhas e bebendo uísque com gelo. As vezes é nas piores horas que eu decido me entregar aos flashbacks. Não decidi ainda se o que estava sentindo era uma dor triste que me faz querer chorar ou uma dor boa que atiça aqueles lados masoquistas obscuros. A única coisa clara no momento era a necessidade gritante de me arrastar até o bar e tentar falar pausadamente com o barman e pedir outro uísque, e mais outro, e mais quantos ele estiver afim de me dar. Uísque em termos, é claro. Aquilo parecia mais alcóol Zulu com ice tea, ambos azedos.
Talvez fosse pelo uísque ruim para caralho, talvez fosse pelo frio que de repente começou a me incomodar, mas aquele lugar começou a ficar pequeno demais para a zona que estava a minha vida e a minha cabeça. Taxi-chaves-casa vazia. Cobertor-The Cure-Lucky-Jorge Amado. Então vamos lá, tentemos sair daquele cúbiculo enfestado de gente. Nessas horas não tem como, os meu melhores amigos são os meus cotovelos e saltos que saem empurrando e pisando em todos que se colocarem entre mim e a porta.
Sou mulherzinha sensível, daquelas que de repente começam a chorar. No meio do caminho a minha maquiagem estava completamente borrada, o meu rímel tinha desaparecido e o delineador corria pela minha pele exageradamente branca. Quem disse que o tempo acaba com tudo nunca sofreu de verdade. É verdade sim, que com o passar dos dias as coisas vão ficando menos graves e as feridas doem menos quando tocadas, mas desaperecer de vez não, nunca. Voltando no tempo, meses atrás. Lembranças de dias bonitos ecoando na minha cabeça doentia e carente. Vozes surgem do nada e vão embora de repente. Caralho, eu precisava mesmo sair dali.
No caminho de casa, com o vento batendo no meu rosto e tentando a todo custo apagar o meu cigarro, eu comecei a sentir medo. As experiências que vivem me gritando concelhos são as vezes as que fodem muita coisa. Fodem com a minha esperança, que eu querendo ou não sempre vou ter, sagitariana de merda. Fodem com as minhas expectativas. Fodem com tudo. Morro de medo delas, simplesmente morro de medo.
Quatro da manhã. Casa vazia. Meu quarto. Cobertor, CD do The Cure e cigarros. Com uísque ruim já revirando no meu estômago e a minha cabeça já doendo, eu me coçava para tranformar tudo isso em um texto com uma conclusão no final.
O medo que impede mata, o que acumula cede.

3 comments:

Anonymous said...

n.ty boa sorte bjz

Anonymous said...

ta escrevendo bem sô!
toma juizo fí!:~
:*

Anonymous said...

então eu naum morro