Saturday, June 04, 2005

Ex namorados & álcool

Cinco e meia da manhã:
Os seus olhos claros vão sempre atravessar a minha alma. Os seus olhos indecifráveis vão sempre me fazer sentir nua. Ele para sempre vai, de todos os jeitos, conseguir enxergar através das minhas máscaras. E eu enquanto procuro um isqueiro pela casa- acender o cigarro no fogão faria muito barulho e eu tinha saído escondida- começo a sentir o coração apertado. Esquecer de antigos amores, congelar momentos e deixa-los no passado, tirar a maquiagem antes de me jogar na cama. Tudo havia ficado complexo e quase impossível de ser feito depois de ter sido penetrada pelo olhar vertiginoso que procurava dentro de mim algo que apesar de não conseguir dizer o que é, sei que existe e que só ele pode enxergar. Ainda podia sentir as minhas pernas bambas e o meu coração acelerado se misturando com o álcool e as pílulas me fazendo ter idéias inimagináveis se estivesse sóbria. Mas eu não estava e era esse o problema.

Três e quinze da manhã:
Primeira pessoa que eu vejo: ele. Vestido como sempre, apoiado em uma parede conversando com uma magricela feia que provavelmente estava se coçando para dar o rabo para ele logo. Apesar de não confeçar à ninguém, ficava óbvio para observadores que a sua presença ali me encomodava. Zapt... eu chorava no quarto, embaixo das cobertas depois de levar um pé na bunda omérico do cara que eu achava ser o grande amor da minha vida. Zapt... nós dois embaixo das cobertas, nos amávamos como loucos e era tudo perfeito. Zapt... o conheci em uma festa -exatamente como aquela- e nem imaginava o tamanho do estrago que ele faria, meses depois, na minha vida.

Sete da manhã:
Achado o isqueiro, ligado o computador. Bêbados fazem as coisas mais estúpidas do mundo, como- por exemplo- mandar um e-mail apaixonado há um ex que te dispensou há semanas atrás.

Depois de ontem, resolvi te escrever. Quem saiba deixando as palavras sairem de dentro de mim eu consiga, finalmente, fechar os olhos e dormir em paz. Não tenho coordenação motora para escrever muito, o meu último cigarro já queima entre os meus dedos e eu só preciso te dizer que vou sempre estar aqui e que não importa o que você faça eu vou sempre ser o amor da sua vida.

Três e quarenta da tarde:
Embaixo das cobertas eu choro pela resposta fria ao meu e-mail bêbado. Os únicos para mim vão ser sempre o travesseiro e as cobertas que assistiram a tudo.
Do começo ao fim

3 comments:

Anonymous said...

dez e vinte da noite-
Depois de meio litro de sorvete, 40 minutos olhando para o lustre e cinco litros de lágrimas eu entro despretenciosamente no msn para uma simles distraçao... Encontrei você. COmo uma boa surpresa da vida foi a única capaz de falar verdades e destruir esperanças.Uma vida sem esperanças é uma vida melhor.
Muito obrigada.Beijos.

Anonymous said...
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Anonymous said...

não é legal que você apagou o meu e deixou outros, porque eu tenho ciúmes e você sabe. e daí se eram das ameixas? saco... ela sabe comentar e aposto que sabe mais um monte de coisas...